AVISO: A China NÃO baniu os testes em animais


Recentemente, circulou nas redes sociais de que a China tinha acabado com os testes em animais em produtos cosméticos importados. A notícia foi largamente festejada e compulsivamente partilhada por várias organizações e bloggers cruelty-free, visto a mesma ter sido interpretada como o fim de todos os testes em animais no país em questão.

No entanto, as coisas não são bem assim e, numa altura em que o consumismo e bem-estarismo estão a minar a luta abolicionista, é necessário estarmos mais atentos para obtermos informações correctas. E ao obtermos informações correctas, é nosso dever partilhá-las.

A notícia da China é sobre os testes em animais em produtos pós-comercializados, mas muitos entenderam que a mudança da lei abarca todos os produtos e todas as marcas internacionais vendidas lá. Foi uma confusão legítima, já que a China tem um milhão de leis parecidas (e a notícia original está terrivelmente mal escrita).

A lei pós-comercialização só está focada nos produtos que já se encontram à venda no país. Com essa lei, o governo tem o aval de ordenar a retirada dos produtos das prateleiras para serem testados em animais, caso houver alguma preocupação em relação à qualidade e/ou eficácia do produto final. Basicamente, o que mudou, é que deixou de ser obrigatório testar em animais os produtos já comercializados.

No entanto, produtos pré-comercializados (ou seja, que ainda não entraram no mercado chinês) continuam obrigatoriamente a passar por testes em animais. Marcas internacionais que comercializam na China continuam a ser testadas em animais, pelo que não são cruelty-free








⚠️ ATUALIZAÇÃO: Para informações completas e atualizadas sobre testes na China, e suas devidas comprovações, confira o guia detalhado que elaborei em meu blog sobre a legislação chinesa de testes em animais. O link pode ser acessado pelo meu destaque aqui no perfil➡️ "China Testes".⁣⁣⁣ ⁣⁣⁣ Está sendo amplamente divulgada uma notícia mal traduzida (na verdade, mal redigida originalmente) de que a China baniu testes em animais. O que está levando todos a acreditarem que agora qualquer empresa que comercializar lá, não terá que testar em animais obrigatoriamente pela legislação. O QUE É MENTIRA! ⁣⁣⁣⁣ ⁣⁣⁣⁣ A notícia postada originalmente pelo site LiveKindly (e após traduzida e copiada por portais de notícias brasileiros) fala sobre "ANIMAL TESTING REQUIREMENTS ON POST-MARKET COSMETICS". ❎ Ou seja, fala sobre testes em animais na PÓS-comercialização (post-market). E isso definitivamente NUNCA se referiu a obrigação das empresas testarem em animais para entrarem com seus produtos na China.⁣⁣ Antes de venderem na China, os testes possuem outro nome, sendo eles: testes de PRÉ-comercialização. ⁣⁣⁣⁣ ⁣ O que são os testes PÓS-comercialização? Se o governo quiser, ele pode tirar produtos das prateleiras e testar em animais. Isso se caso houver alguma preocupação em relação a qualidade/eficácia do produto final. PÓS = DEPOIS.⁣ Quando o produto já está pronto e sendo vendido. E o governo não precisa avisar as empresas que irá fazer isso.⁣⁣⁣ ⁣⁣⁣⁣ Os testes PRÉ-comercialização, ou seja, os testes obrigatórios que as empresas tem que realizar para sequer ENTRAR e comercializar seus produtos no país NÃO mudaram! ⁣⁣⁣⁣ ⁣⁣ ‼️ AFINAL, O QUE MUDOU? A organização HSI (Humane Society Intermational) - uma das maiores em defesa dos animais no planeta - confirmou em seu Twitter que o que mudou foi apenas os testes PÓS-comercialização de rotina. Nos testes pós-comercialização que não forem de rotina (como a reclamação de um consumidor sobre um produto que JÁ ESTÁ sendo vendido) animais AINDA serão usados!

Uma publicação partilhada por Ariane Ficher (@ariveganbeauty) a

Marcas vendidas na China e que possuem o selo cruelty-free da PETA

Já falei aqui que a PETA não é de confiança por incluir, na sua lista cruelty-free, marcas de empresas envolvidas em testes com animais.  De acordo com o Notícias ao Minuto, a PETA explicou que as marcas que fazem parte da sua lista cruelty-free assinam uma declaração de fiabilidade que garante que a marca não realiza nem realizará testes em animais em qualquer parte do mundo. Subsidiárias (ou submarcas) de empresas que testem em animais podem aderir à lista, mesmo que a empresa-mãe não tenha eliminado por completo a prática de testes em animais.

Só porque uma marca está listada como “não testa”, não significa que seja cruelty-free. E o mesmo se passa ao contrário: há marcas que não estão em nenhuma lista e, mesmo assim, são cruelty-free.

Há muitas marcas que são certificadas pela PETA quando estão, de algum modo, ligadas a testes abusivos e cruéis. Duas dessas marcas, a Herbal Essences e a Dove, continuam a ser vendidas na China, onde os testes em animais são exigidos por lei. Outro exemplo é a Rusk, uma marca de produtos para o cabelo, que se encontra na lista cruelty-free da PETA mas é incapaz de garantir que os fornecedores não testam em animais e que certas regiões onde os seus produtos são vendidos exigem testes em animais.

Resumindo:

Marcas internacionais que são vendidas na China continuam a ser testadas em animais;

• A única lei que mudou foi da pós-comercialização, que actua em produtos que já estão à venda nas lojas;

• A mudança da lei pós-comercialização só retirou a obrigação dos testes em animais em produtos que estão a ser vendidos. No entanto, esses testes poderão ocorrer caso haja alguma reclamação por parte de um consumidor. Nessas situações, o produto é retirado do mercado e testado em animais antes de ser novamente colocado à venda.

Para saberem mais sobre a política actual dos testes em animais na China, leiam o artigo A China e os testes em animais.


Imagem | iStock

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