“A vaquita está a um passo da extinção”, alertam os conservacionistas


Em perigo crítico desde 1996, a vaquita é o mamífero marinho mais ameaçado do mundo. A população foi estimada em 600 em 1997, abaixo de 100 em 2014, aproximadamente 60 em 2015, em torno de 30 em 2016 e 12 em 2018. Actualmente, restam 10 indivíduos.

O novo alerta foi dado pelo CIRVA, um comité internacional dedicado à conservação da vaquita. No seu relatório, dirigido aos ministros mexicanos do meio ambiente e da agricultura, os especialistas do CIRVA estabeleceram as medidas cruciais para salvar a espécie:

Como se sabe, a vaquita está a um passo da extinção e, a menos que uma acção seja tomada agora, a espécie desaparecerá dentro de alguns meses ou anos. Nós enfatizamos que a única esperança que resta para a vaquita é eliminar toda a pesca com redes de emalhar na área onde as últimas vaquitas permanecem. Esta não é uma tarefa impossível, pois, a área a ser protegida não é grande.

Desde então, as autoridades mexicanas anunciaram planos para ajudar a salvar as espécies remanescentes, usando bóias para marcar uma reserva para estes animais e impedindo a entrada de navios de pesca. No entanto, Alejandro Olivera, representante do México para o centro de diversidade biológica, classifica essas medidas como insuficientes por não alcançarem o nível de urgência que é necessário.

Com 10 vaquitas restantes, o que é necessário é a protecção total e a eliminação imediata de redes ilegais do habitat da vaquita, acrescentou.

O CIRVA recomendou um programa abrangente, incluindo a patrulha do habitat durante 24 horas, equipas de remoção das redes e a acusação formal dos pescadores ilegais.

Will McCallum, do Greenpeace, disse que o desaparecimento gradual da vaquita é prova de que as autoridades não agiram de forma a conseguir preservá-la:

Este amado mamífero marinho está em contagem regressiva para a extinção e nunca deveria ter chegado a esse ponto. O governo mexicano e a comunidade internacional foram avisados, há duas décadas, que a pesca ilegal de totoaba era uma ameaça mortal para a vaquita e, mesmo assim, não conseguiram agir.

Em 2017, um programa de protecção em cativeiro foi desenvolvido, numa tentativa desesperada de salvaguardar os poucos indivíduos que restam, mas teve de ser suspenso após uma fêmea adulta morrer horas depois de ser capturada.


O declínio da vaquita é inteiramente atribuído à acção humana, principalmente dos pescadores. Enquanto na pesca legal capturam-nas acidentalmente, a pesca ilegal é motivada pelo mercado chinês, que considera a sua bexiga natatória como uma iguaria. São usadas redes de emalhar, também ilegais, que ficam estendidas como lençóis através de flutuadores. Quando aprisionadas nessas redes, as vaquitas ficam enroladas nelas e acabam por morrer.

Foi numa dessas redes que a Sea Shepherd encontrou uma vaquita morta em meados deste mês. A organização estava a patrulhar uma área conhecida como Vaquita Refuge (o refúgio das vaquitas) quando encontraram o animal sem cabeça e já em avançado estado de decomposição. 

Depois de enviar fotografias preliminares a especialistas em mamíferos marinhos e consultores científicos da Sea Shepherd, determinou-se que a morfologia e o comprimento correspondiam ao corpo de uma vaquita.

Como a análise genética é necessária para confirmar a identidade das espécies, a Sea Shepherd transportou o cadáver da vaquita para San Felipe, onde foi entregue às autoridades do governo para identificação.

Em contraste com o aviso dos conservacionistas, tem havido rumores espalhados pela região do Alto Golfo da Califórnia onde a vaquita é endémica de que as redes de emalhar não são uma ameaça para estes animais e outros cetáceos. A Sea Shepherd, que opera nesse local desde 2015, documentou 36 mamíferos marinhos presos em redes de emalhar ilegais só nesse ano. Nove deles eram cetáceos, dos quais apenas um sobreviveu.

Actualmente, a Sea Shepherd está a trabalhar em colaboração com agências governamentais mexicanas, para garantir que medidas imperiosas sejam tomadas para proteger a vaquita.

----------------------------------------

Querem realmente salvar as espécies marinhas ameaçadas? Parem de comer peixe

A pesca, tanto legal como ilegal, é a maior responsável por ameaçar espécies que já se encontram vulneráveis, pelo que a conservação da vida e dos ecossistemas marinhos começa pelos nossos hábitos alimentares. Leiam mais sobre o problema da pesca e a senciência dos peixes neste artigo. Acedam também à biblioteca virtual do blogue para encontrarem e-books com receitas saborosas e sem crueldade.

Notícia traduzida e adaptada de Sea Shepherd e The Independent.

Imagens | Google

Sem comentários