Dian Fossey: A mulher que deu a vida pelos gorilas


Dian Fossey foi uma zoóloga americana que nasceu em São Francisco no dia 16 de Janeiro de 1932 e ficou conhecida pelo seu trabalho científico e de conservação com os gorilas das Montanhas Virunga, na Ruanda e no Congo.

A sua paixão pelos animais era inata mas foi várias vezes bloqueada devido à pressão familiar: encorajada pelo padrasto, entrou para a faculdade e inscreveu-se num curso ligado a economia e negócios.
Nas férias de Verão foi trabalhar num rancho em Montana e o seu apego pelos animais falou mais alto: Dian decidiu ouvir o coração e, quando regressou, começou a cursar Medicina Veterinária na Universidade da Califórnia. Todavia, as áreas da Química e da Física tornaram-se um obstáculo e acabou por optar por uma licenciatura em Terapia Ocupacional na Universidade Estadual de San Jose, que completou com êxito em 1954.

Após a graduação, Dian começou a trabalhar em vários hospitais californianos ocupando-se dos doentes tuberculosos. Mudou-se para Louisville, no Kentucky, e foi contratada como directora do Hospital Infantil Kosair. A saída dos limites da cidade e a aproximação com o campo incentivaram-na, também, a trabalhar temporariamente com animais. O seu desejo de viajar pelo mundo e estudar a vida selvagem corria-lhe nas veias, levando-a a pedir um empréstimo bancário em 1963 para deslocar-se até África.
A sua primeira paragem foi no Quénia. Seguidamente passou pela Tanzânia (então Tanganyika), Congo (o outrora Zaire) e Zimbabwe (o antigo Rodésia). John Alexander, um caçador britânico, foi o seu guia. A rota que ele elaborou incluiu Tsavo, o maior parque nacional da África, assim como o lago de Manyara, famoso por atrair rebanhos gigantes de flamingos, e a Cratera de Ngorongoro, conhecida pela sua fauna abundante.
Os dois últimos locais que Dian visitou foram a Garganta de Olduvai na Tanzânia e o Mount Mikeno no Congo onde, em 1959, o zoólogo americano George B. Schaller realizou um estudo pioneiro sobre o gorila-da-montanha. Inspirada pelos escritos do naturalista e conservacionista, Dian decidiu estudar os gorilas-das-montanhas em extinção na África.

Creio que foi neste momento que a semente foi plantada na minha cabeça de que, mesmo que inconscientemente, um dia eu iria voltar para África para estudar os gorilas-das-montanhas.

No dia 16 de Outubro, Dian instalou-se num pequeno hotel em Uganda que ficava próximo das montanhas Virunga. O hotel pertencia a Walter Baumgartel, um grande defensor da preservação dos gorilas: este recomendou-lhe que se encontrasse com Joan e Alan Root, dois fotógrafos da vida selvagem do Quénia que estavam a recolher fotografias para um documentário.
Dias depois, Dian aventurou-se pela floresta com os fotógrafos: quando conseguiu observar e fotografar os gorilas-das-montanhas, a sua vontade de desenvolver os seus estudos sobre estes animais enraizou-se permanentemente no seu âmago.

Quando regressou a Kentucky começou imediatamente a trabalhar para conseguir pagar o empréstimo que pediu: o tempo que tinha livre era aproveitado para publicar localmente alguns artigos e fotografias que trouxe de África.
O ano de 1966 foi decisivo na sua vida, quando uma palestra em Louisville cruzou-a novamente com o Dr. Louis Leakey. Dian mostrou-lhe o material que conseguira recolher e Leakey considerou torná-la líder num projecto de campo de longo prazo para estudar os gorilas-das-montanhas.
Os oito meses seguintes foram de preparação, trabalho e muito estudo, nos quais Dian concluiu o pagamento da sua primeira viagem, aprendeu a língua suaíli e leu as obras de George B. Schaller sobre os próprios estudos que este realizou num projecto de campo.
Em Dezembro, Dian regressou a África. Aí recebeu instrução em trabalho de campo com Jane Goodall e começou a sua jornada. A sua primeira visão foi a de um gorila macho solitário que estava deitado ao sol. Dian aproximou-se do animal que, assustado, afastou-se, mas ficou mesmo assim incentivada com este encontro.
O comportamento deste gorila foi aquele que ela presenciou nos outros gorilas que encontrava ao longo dos dias: todavia, a fuga para a vegetação deu gradualmente lugar à confiança. Os animais começaram a sentir-se à vontade na sua presença e Dian conheceu-os como indivíduos, dando-lhes até mesmo nomes.

Em 9 de Julho de 1967, os problemas devido ao agravamento político do Congo começaram. Dian passou duas semanas em Rumangabo sob guarda militar até que, no dia 26 de Julho, foi capaz de orquestrar a sua fuga: conseguiu que alguns guardas a escoltassem até Kisoro, onde foi directamente para o Hotel Travellers Rest. Walter Baumgartel chamou os militares de Uganda e os soldados do Zaire foram presos, assim como Dian.
Em Kisoro, Dian foi interrogada e alertada para não voltar para o Zaire. Depois de mais interrogatórios em Kigali, a capital de Ruanda, finalmente pôde deslocar-se até Nairobi, onde reuniu-se com o Dr. Leakey pela primeira vez em sete meses. Eles decidiram, contra o parecer da Embaixada dos EUA, que Dian continuaria o seu trabalho no lado ruandês em Virunga.

Foi no dia 24 de Setembro do mesmo ano que Dian fundou o Centro de Pesquisa Karisoke e superou um leque de desafios, desde a comunicação correcta entre ela e os homens de Ruanda (já que ela falava suaíli e eles kinyarwanda) e o estabelecimento de confiança com os gorilas da zona.
Em 1968, a National Geographic Society enviou o fotógrafo Bob Campell para fotografar o trabalho de Dian Fossey: as imagens que captou de Dian com os gorilas-das-montanhas mudou a visão que as pessoas tinham sobre estes animais, destronando assim o rótulo de agressividade que mantivera-se até ao momento.

Em 1970 foi para Inglaterra e ingressou na Universidade de Cambridge para tirar o doutoramento em zoologia. Armada com a formação, sentia que ia ser levada mais a sério. Isso também reforçava a sua capacidade para continuar o seu trabalho, o respeito de comando e, o mais importante, obter mais recursos.

Com o passar do tempo, Dian também começou a discernir outros perigos que os gorilas tinham de lidar para além da caça furtiva: assim como acontece com bastantes animais, os gorilas eram vítimas de armadilhas que não eram direccionadas para eles e sim para antílopes e búfalos. A sua luta contra os caçadores intensificou-se nas suas acções, desde a utilização de máscaras para assustá-los ao confrontos directos que tinha com eles.
Contudo, as tácticas que empregava não eram populares entre os moradores que estavam lutando pela sobrevivência. Além disso, os guardas do parque não estavam equipados para que as leis fossem cumpridas e a floresta e os seus habitantes fossem protegidos. Como último recurso, Dian usou os seus próprios fundos para ajudar na compra de botas, uniformes e alimentos, assim como proporcionar salários adicionais para encorajar os guardas do parque a serem mais activos na aplicação da legislação anti-caça. Estes esforços geraram os primeiros Karisoke, patrulhas anti-caça furtiva cujo trabalho passava por proteger os gorilas na área de pesquisa.

No decorrer dos seus anos de pesquisa, Dian formou vários laços com os gorilas: Digit era, no entanto, o seu predilecto; tinha cerca de cinco anos de idade e era o mais novo no seu grupo. Uma amizade profunda entre eles tinha-se estabelecido.

O início da tragédia

Digit foi morto por caçadores furtivos no dia 31 de Dezembro de 1977 ao defender o seu grupo, permitindo que outros gorilas escapassem em segurança. Foi apunhalado várias vezes e a sua cabeça e as mãos (que são usadas para fazer cinzeiros) foram cortadas. Mais mortes decorreram, incluindo a do macho dominante de dorso prateado do mesmo grupo, o que levou a uma separação dos elementos. Foi aí que Dian Fossey declarou guerra aos caçadores.

Digit fizera parte de uma sessão fotográfica de Bob Campbell e, como resultado, ficou como o representante oficial dos gorilas-das-montanhas, aparecendo em cartazes de agências de viagens um pouco por todo o mundo. Depois de um debate interno bastante intenso, Dian aceitou usar a morte do primata para chamar a atenção e conseguir apoio suficiente para a conservação dos gorilas, criando o Fundo Digit para arrecadar dinheiro para a sua acção anti-caça. O Fundo Digit, mais tarde, foi rebaptizado e passou a ser chamado de Dian Fossey Gorilla Fund International.

Em 1980 foi para New York e aproveitou o tempo que esteve longe para focar-se no seu livro. Gorillas In The Mist foi publicado em 1983 e continua a ser popular nos nossos dias. Na obra, Dian relata os anos em que passou na floresta, bem como evidencia a urgência da conservação e protecção dos gorilas. Os seus discursos, infelizmente, transformaram-na num alvo de ódio por parte dos caçadores furtivos e dos elementos corruptos do exército da Ruanda.

No dia 26 de Dezembro de 1985, Dian Fossey foi brutalmente assassinada na sua cabana de investigação: foi atingida duas vezes na cabeça e uma no rosto com uma faca de grandes proporções e o seu corpo foi encontrado de manhã no dia seguinte. Ninguém conseguiu encontrar o(s) seu(s) assassino(s), embora a suspeita recaia nos caçadores de gorilas.

O seu legado mantém-se vivo em várias organizações e sociedades dedicadas a salvar os primatas da extinção. Graças ao trabalho de Fossey, a consciência do mundo para com a extinção do gorila-das-montanhas aumentou e os animais são protegidos agora pelo governo ruandês e várias organizações de conservação internacionais.

Querem ajudar a Fundação Dian Fossey com um donativo? Acedam aqui e vejam como podem fazê-lo.

Filme baseado na vida real e nos estudos de Dian Fossey: Sigourney Weaver, a actriz que dá vida à naturalista, é uma das activistas principais do Fundo Fossey e tem contribuído para a preservação da espécie.

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Recursos utilizados:
depoisdaflorestablog.blogspot.pt

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