O mel é vegano?


Muitas pessoas classificam o mel como um produto de origem vegetal e não de origem animal porque deve-se à extracção do pólen das flores. No entanto, a extracção do pólen é realizada por um animal, cuja finalidade é a alimentação de todos os elementos da colmeia. Assim, o mel torna-se num produto de origem animal porque é criado pelas abelhas e não surge directamente das flores.

As abelhas sugam o néctar da flor, depositando-o no papo ou na vesícula nectífera. Inicialmente, as enzimas decompõem o açúcar do néctar em outros dois mais simples a frutose e a glicose enquanto outras secreções são adicionadas enquanto a abelha realiza o transporte, adicionando outras enzimas como a invertase, a diastase, a oxidase, a catalase e a fosfatase. É na colmeia que a abelha deposita o néctar em favos, onde perderá uma grande quantidade de água e tornar-se-á em mel.

As abelhas trabalham incansavelmente para conseguir alimento suficiente quando as estações chuvosas não permitem que realizem essa acção: é deste modo que os períodos de escassez são compensados. Na apicultura, os apicultores preferem queimar as colmeias ou deixar as abelhas morrer à fome quando tal situação ocorre, já que a manutenção das colmeias é cara. Esta indústria, semelhante às restantes que exploram animais, não olha a meios para atingir o lucro e pouco ou nada importa-se com as abelhas:

– A expectativa de vida de uma abelha-rainha são de cinco anos, mas na indústria ela é inseminada artificialmente e descartada a cada dois meses para aumentar a produtividade da colmeia;

– Para as abelhas-rainhas serem inseminadas artificialmente abelhas macho são esmagadas até à morte, para o seu sémen ser recolhido;

– Para não fugirem, as abelhas-rainhas têm o seu tórax levemente esmagado e/ou as suas asas cortadas e/ou são intoxicadas.

– Na indústria padrão, jactos de fumos são utilizados para atordoar as abelhas: muitas acabam por morrer sufocadas por causa disso;

– Na mesma indústria, inúmeras abelhas são mortas por esmagamento. A morte das abelhas é irrelevante para os apicultores, visto que extrair a maior quantidade de mel possível é a prioridade.


Os apicultores são também responsáveis pela propagação das doenças ao moverem colónias doentes para junto de colónias saudáveis. Quando conseguem detectar uma colónia doente simplesmente destroem as colmeias, queimando as abelhas vivas. As dietas artificiais que são administradas às abelhas também fragilizam-nas, deixando-as mais vulneráveis a doenças.

As abelhas operárias (...) fazem cerca de 15 voos diários e percorrem 40 a 100 quilómetros. Uma colher de chá de mel é o resultado do trabalho de toda a vida de dez ou doze abelhas. Um quilograma de mel requer o trabalho de 2.500 animais.
— National Geographic, Edição Especial de Ciência 1

Em poucas palavras, o mel é o alimento produzido pelas abelhas para alimentar as abelhas e não a nós. Estes animais esforçaram-se para obter alimento suficiente para toda a colmeia e nós invadimos os espaços delas para retirar aquilo que lhes pertence. Fala-se bastante do mel biológico como uma opção mais humana, visto os produtores de mel biológico serem mais cuidadosos com as abelhas, mas isso não os impede de matar umas quantas quando extraem o mel. Além disso, não deixa de ser exploração de animais para benefício humano, pelo que consumir mel, seja ele que tipo for, não é correcto sem contar que é totalmente desnecessário.

Alternativas ao mel

Erradamente, algumas pessoas insistem em colocar o mel como um ingrediente em receitas veganas quando é considerado não-vegano todo o produto extraído, criado ou proveniente de um animal. O mel, assim como a cera de abelha, a geleia real e a própolis, não são veganos. No entanto, há vários produtos que substituem perfeitamente o mel, seja na culinária ou em indicações medicinais.

• Dor de garganta: a receita da avó refere a tradicional colher de mel com umas gotas de limão, mas podemos substituir o mel por um adoçante vegetal. Chá com dois dentes de alho, um pau de canela e uma colher de café de cravo-da-índia também alivia a rouquidão e a inflamação da garganta. Aliviem o sabor desagradável com uma colher de melaço e sentirão melhorias notáveis logo no dia seguinte.

• Por falar em melaço, podem também usar este nas receitas no lugar do mel bem outros adoçantes vegetais: geleia de milho, geleia de arroz, xarope de ácer, xarope de agave, açúcar de coco, açúcar de tâmaras, entre outros.

• Para termos uma noção do valor nutricional do mel em relação a outros adoçantes, vamos compará-lo com o xarope de milho por colher de sopa:
Cálcio  Xarope de milho: 10 mg | Mel: 1 mg
Fósforo — Xarope de milho: 5,8 mg | Mel: 1,16 mg
Ferro — O xarope de milho tem sete vez mais ferro do que o mel.

• A geleia real pode ser substituída pelo ginseng. Esta planta medicinal tem propriedades semelhantes à geleia real:
Ajuda a regular a pressão arterial;
Previne gripes;
É um excelente tónico cerebral, já que ajuda a diminuir a fadiga;
É anti-inflamatório;
É rico em antioxidantes que ajudam no combate a diversos tipos de cancro;
Ajuda a reduzir o colesterol.

• Protejam-se antecipadamente da gripe com a equinácea: esta planta é conhecida por estimular o sistema imunitário, tornando-se numa coadjuvante das constipações mais severas. Em ervas para chá, em cápsulas ou em gotas, conseguirão encontrá-la facilmente em estabelecimentos que vendem produtos naturais.


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