Animais usados para vestuário

Apesar do frio outonal estar atrasado, muitas pessoas já iniciaram a compra de roupas e calçado mais quentes para a chegada do Inverno. Roupa quente implica, muitas vezes, a presença de material proveniente de animais que foram explorados e assassinados para essa finalidade. A utilização de pêlo já é maioritariamente criticada e repudiada, algo que não acontece com a mesma intensidade quando se trata de cabedal, de seda ou de lã. Estes produtos são igualmente responsáveis pelo uso e abuso indescritíveis de milhões de animais e devem ser igualmente postos em causa por serem também criadores de sofrimento desnecessário.

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O cabedal, ou couro, encontra-se bastantes vezes no calçado e em casacos. O argumento soberano na justificação da utilização de cabedal é por este ser aproveitado de animais que, inevitavelmente, vão ser mortos para consumo e que por isso é um mal menor comprar e utilizar produtos com esse material. No entanto, o couro é um dos principais produtos derivados da pecuária, implicando que o sucesso económico desta actividade esteja também ligado às vendas de produtos com esse material. Deste modo, a compra de produtos com esse material fomenta a exploração dos animais: ao comprarmos estamos a compactuar com as indústrias que beneficiam desse consumo. Veja-se que são indústrias que exploram, torturam e matam biliões de animais por ano: fechar os olhos quando compra aquele par de sapatos de pele de vaca só alimenta mais esse círculo vicioso de sofrimento.

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Para a produção de , as ovelhas têm as suas orelhas perfuradas e as caudas cortadas semanas após nascerem. Os carneiros são castrados. Os três processos supracitados são desprovidos de qualquer tipo de anestesia.
Por serem geneticamente modificados, estes animais produzem uma quantidade de lã bastante superior à normal. Esta superprodução é uma das responsáveis pela alta taxa de mortalidade presente nestas indústrias devido à hipertermia. Subnutrição, inanição e doenças completam o leque da terrível morte que ceifa a nula dignidade que estes animais tiveram em vida.
A tosquia é negligente e puramente mecânica; os funcionários encarregados dessa tarefa são geralmente pagos pelo volume de lã conseguido e não pelas horas de trabalho, o que pesa bastante no cuidado que têm ao extrair a lã das ovelhas. Hematomas e feridas profundos substituem a lã no corpo dos animais, que por falta de cuidados veterinários e pela fácil propagação de doenças acabam muitas vezes por morrer. Casos como metade da face das ovelhas ser arrancada durante essa actividade são muito comuns.

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A seda implica a morte do bicho-da-seda, que é fervido vivo em água a escaldar para que seja separado dos fios que produz. Como qualquer membro pertencente ao reino Animalia, o bicho-da-seda é capaz de sentir dor, pelo que estes animais não merecem ser ignorados. A sericultura é tão cruel como qualquer indústria que explora animais para obter materiais provenientes dos mesmos e por isso deve ser também boicotada.

Também há roupas, assim como colchas e almofadas, que têm plumas. A extracção de penas comporta um processo carregado de agonia e sofrimento que transcende o que podemos imaginar. Patos, gansos e avestruzes são imobilizados violentamente e têm as suas penas arrancadas a sangue frio, o que provoca lesões e escoriações muito dolorosas. Anestesias não são utilizadas.
Comprar produtos com penas também é apoiar crueldades como o foie gras e a indústria de carne: assim como acontece na produção de couro, muitos produtores criam os animais para a alimentação e obtêm um lucro extra vendendo as penas.
 
Há uma lista generosa de materiais sintéticos que substituem os materiais de origem animal na perfeição: o poliéster e o acrílico são óptimos para tomarem o lugar do couro e do cabedal. Os materiais de origem vegetal são de boa qualidade e mais ecológicos: o algodão, o linho, a juta, o cânhamo, o sisal e o látex são algumas opções.

Assim como a libertação animal, a libertação humana deve ser levada em consideração, pelo que chamo a atenção sobre a origem das roupas: dependendo do país, pode haver uma ligação com a exploração humana e com o trabalho infantil. Procurem evitar produtos provenientes do Cazaquistão, da Índia e Bangladesh, por exemplo. Infelizmente, os países que utilizam crianças como mão-de-obra são inumeráveis, o que dificulta bastante o nosso consumo como cidadãos preocupados com este flagelo.

No calçado, tenham particular atenção aos símbolos.


• Contrariamente à ideia generalizada, a produção de pele sintética não é mais prejudicial para o ambiente do que a produção de pele animal. Para evitar a decomposição rápida, as peles dos animais são tratadas com substâncias químicas altamente tóxicas e que são depois despejadas aleatoriamente para o terreno e para os rios. Para produzir uma pele de origem animal, é necessário sessenta vezes mais energia do que aquela que é utilizada para produzir uma pele sintética. 

Materiais como camurça, caxemira, angorá, organza, cetim e penugem também são de origem animal.

• Se o produto que pretendem adquirir não possui a lista dos materiais é melhor não comprar. Não confiem na palavra do vendedor; muitos desconhecem os materiais utilizados nas peças e, infortunadamente, a maioria não hesita em dizer o que o consumidor deseja ouvir.

• As indústrias que exploram animais para as suas peles e beneficiam com essa exploração já foram várias vezes denunciadas publicamente. Vejam os vídeos que revelam a atrocidade cometida contra os animais para que produtos com penas e possam ser colocados no mercado.

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